terça-feira, 13 de novembro de 2018

DESIGNER DE PROCESSOS E PESSOAS…O NOVO PAPEL DO LÍDER


Creio que este será o título dos Líderes num futuro breve. Ainda estamos discutindo, muitas vezes, o papel da Liderança num modelo antigo, que é muito baseado no modelo industrial. Processos estanques e repetitivos, com pequenas mudanças evolutivas ao longo dos anos. Precisamos entrar numa discussão mais profunda do novo papel da Liderança, neste mundo digital. O perfil dos profissionais dessas novas gerações é bem diferente do que estamos acostumados. Basta olhar o ambiente das empresas de tecnologia para entender a grande mudança que ocorreu e que está ocorrendo. Essa transformação é percebida em todas as frentes. As pessoas têm formação diferente, se vestem de maneira despojada, o ambiente de trabalho é também bastante descontraído e igualmente desprendido. O mundo criativo e inovador pede este tipo de local, para que as pessoas possam soltar a imaginação e produzir inovação para os negócios. Os desafios não são mais processos recorrentes que precisam ser melhorados através da própria repetição e execução. Agora vivemos um momento, em que os processos precisam ser mudados constantemente, para que possam atender as necessidades dos negócios. Tudo é muito mais volátil e sujeito a mudança num espaço de tempo muito curto. Os ciclos de negócios são muito rápidos e os produtos muito mais perecíveis em função do avanço rápido da tecnologia.

A cada momento algo novo está sendo criado para adicionar aos negócios existentes, ou mesmo transformando o ambiente totalmente. Existem vários exemplos como tudo isso está se modificando rapidamente. Quando achávamos que a tecnologia, por exemplo, já facilitava a nossa vida para não ter que ir a um banco, já tem tecnologia que está na verdade concorrendo com o próprio conceito de banco. Portanto nem as coisas mais tradicionais e aparentemente imutáveis conseguem sobreviver a este momento de transformação que o mundo está passando.

Com este contexto dos negócios e das organizações, não é possível se imaginar que os processos vão permanecer iguais por longo tempo e muito menos a forma de desenvolver as pessoas. O papel de cada um é quase de se auto liderar, até porque muita gente está cada vez mais trabalhando remotamente. A liderança muitas vezes nem convive mais proximamente dos seus liderados. A palavra autonomia e empoderamento nunca fez tanto sentido como agora, só que ainda estamos preparando as Lideranças no modelo analógico.

Precisamos urgentemente começar a rever o papel do Líder dentro deste novo contexto. Pessoalmente, os vejo muito mais como Designers de processos e pessoas, e facilitadores do trabalho, definindo o direcionamento, alimentando e revendo os processos e o trabalhos das pessoas de forma permanente. O trabalho e os processos devem ser alterados constantemente para melhor se adaptar a velocidade do mercado e poder enfrentar a concorrência. É como se tivéssemos que alterar a descrição de cargos todas as semanas, bem como mudar os processos na mesma velocidade. A tecnologia veio para nos ajudar nesta tarefa, e o novo papel da Liderança é liderar este processo de transformação junto aos liderados. O novo mundo do trabalho requer um comportamento de muita flexibilidade, como se cada dia o trabalho fosse feito de forma diferente. Todos devem estar muito atentos as mudanças de tecnologia, e fazer da inovação um “way of life”. Será muito desafiador acompanhar esses novos tempos, mas como tudo na vida, o ser humano está pronto para se adaptar e fazer disso a sua rotina. Neste cenário, o novo papel da Liderança será fundamental para as organizações e a sociedade como um todo.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ONDE O NEGÓCIO FOR O RH VAI JUNTO


Vejo tantas teorias e conceitos sobre a evolução da gestão de pessoas que parece tratar-se de uma ciência espacial. Agora então com a tal da era digital, da indústria 4.0 e outras titulações, o assunto ganhou uma complexidade enorme. Está cheio de gurus no mundo escrevendo livros e mais livros a respeito disso. E claro, junto com o livro também é preciso a consultoria para entender do que se trata. Também tem o tal do VUCA, que agora todo mundo fala, mas de fato poucos sabem o que é. De tempos em tempos acontece isso. Alguém escreve uma nova ideia ou uma velha ideia com roupa de domingo, e todo mundo começa a reproduzir e reverberar o assunto.

A área de RH e os temas de liderança parecem exercer um fascínio nos autores de livros e gurus, para lançarem novos conceitos e, principalmente, para o exercício da futurologia. Nada contra, e acho até um bom exercício mental discutir a respeito de novas visões, até porque o mundo está sempre se transformando e evoluindo. A única coisa que me incomoda um pouco, é quando toda essa conversa de futurologia vem divorciada da conversa de negócios. Quando isso acontece, essa conversa vira apenas um exercício acadêmico, interessante, porém de pouco valor agregado ao mundo real. Pelo menos na minha visão...

Participo de algumas discussões, e apresentações na área de gestão de pessoas, e fico me perguntando: Se eu apresentar isso para um CEO, qual será a sua reação? Confesso que algumas vezes eu mesmo fiz essa avaliação. Em alguns casos eu acredito que o CEO enfartaria com tanto assunto teórico e acadêmico. Tudo bem, tem o seu valor as discussões acadêmicas e teóricas, mas no mundo empresarial, onde deve-se agregar valor e ter coisas práticas, fica difícil imaginar a adoção de muitas dessas ideias.

Quando falamos de gestão estratégica de pessoas, a primeira coisa que precisamos entender é a estratégia do negócio. Além disso, temos que traduzir e fazer a conexão dos temas de negócios para os processos de RH. Se queremos projetar a evolução da gestão de pessoas para o futuro, vamos ter que fazer primeiro um exercício para entendermos para onde estão indo os negócios. Quais são as demandas e os desafios do “business” para o futuro. A partir disso sim, podemos fazer um exercício de futurologia para identificar as mudanças e as necessidades em gestão de pessoas.

O fator humano é de fato cada vez mais crítico para o sucesso dos negócios. A lógica é simples, vivemos uma época de muita transformação e inovação, e essas coisas dependem fundamentalmente do talento humano, da criatividade, etc. As novas tecnologias, novas plataformas, etc. dependem mais do fator humano do que muitas vezes do capital investido. Como o impacto humano nos negócios é cada vez mais significativo, isso exige que a gestão de pessoas seja mais eficiente e produtiva para agregar valor ao negócio. E para que isso aconteça, o RH tem que estar cada vez mais preparado para entender a necessidade do negócio e desenvolver novas formas de fazer a gestão de pessoas para esta nova era. Por isso eu digo, onde o negócio for o RH vai junto....ou pelo menos deveria ir...




terça-feira, 3 de julho de 2018

CAPITALISMO INCONSCIENTE OU INCONSEQUENTE


De vez em quando me dá vontade de escrever sobre o ambiente macro que vivemos no Brasil e, porque não dizer, da América Latina. De alguma forma estes cenários têm a ver com a área que eu atuo, que é Gestão de Pessoas. Não consigo ficar imune de algumas coisas e reflexões que tenho vontade de comentar. Isso talvez fique mais forte por eu ter vivido e trabalhado duas vezes no Estados Unidos, onde poderíamos dizer que é o ícone do capitalismo neste planeta.

É triste ver como o capitalismo se desenvolve no Brasil, quando lemos todos os dias noticias nos jornais da corrupção envolvendo grandes empresários e os governantes do País. Não sei quem é pior, se são os maus empresários, que não têm ideologia do capitalismo e muito menos escrúpulos, ou os governantes que representam apenas os seus interesses pessoais, sem também nenhuma ideologia ou aptidão para a causa pública. São capitalistas inconscientes e inconsequentes da pior categoria, pois por alguns trocados, ou muitos trocados, vendem a alma para o diabo, em detrimento da nação inteira. Causam estragos gigantescos, quando a população não tem emprego, saúde, educação, segurança, moradia, etc. por conta de todo o dinheiro roubado. Sempre me pergunto se esta gente consegue dormir? Talvez sim, pois não são equipados de valores, ética e integridade inerentes ao cidadão honesto e de bem.

Este tipo de capitalismo reinante em nossa região, produz uma tremenda concentração de renda, tendo de um lado os ricos e abastados vivendo em casas cheia de muralhas e dirigindo os seus carros blindados, e do outro desafortunados que em sua grande maioria não tem quase nada para viver.  O capitalismo inconsciente constrói este tipo de ambiente que tende a ser cada vez pior no futuro, se não houver mudança de mentalidade. As ideologias de esquerda agradecem a este tipo de capitalismo, pois eles não precisam nem fazer força para prosperarem. A população desassistida e ignorada pelo mau capitalismo, busca nas ideologias de esquerda o refúgio para os seus infortúnios. Só que mesmo a ideologia de esquerda se perdeu neste mundo podre do capitalismo inconsciente, se corrompendo e agindo da mesma forma, defendendo interesses escusos alimentados pelos maus empresários. Há um certo desalento neste momento porque nenhuma das ideologias representa mais uma grande parte da população, que está frustrada com tanta corrupção e falta de investimentos sociais num País tão rico de recursos.

Precisamos encontrar um caminho novo, para construir um novo modelo democrático,  capitalista de verdade, ou seja, que promova a livre inciativa, onde todos têm oportunidade de melhorar de vida e que fundamentalmente não esqueça da sua responsabilidade social. Se continuarmos neste caminho do capitalismo inconsciente, correremos o risco de trilharmos no caminho do populismo que nos levará a ditaturas de direita ou esquerda, que se apresentarão como a solução para todos os males. Já vimos este filme no passado e ao redor do mundo. É só pesquisar na história para saber o que aconteceu. Está na hora dos bons empresários, capitalistas de verdade, assumirem o comando para construírem um País socialmente, politicamente e economicamente viável e saudável. Se as forças ideológicas de esquerda se juntarem a este movimento, não como oposição radical, mas como agregador de uma visão social desta nova sociedade, creio que poderá ser o caminho da construção de um novo futuro. Existem exemplos de economias e de capitalismo no mundo, onde o social caminha junto com o desenvolvimento econômico, onde a sociedade pode ser próspera e as pessoas tratadas com dignidade e verdadeiras sócias deste empreendimento.


sexta-feira, 29 de junho de 2018

NÃO EXISTE ALMOÇO GRATIS - O QUE AS EMPRESAS ESPERAM DOS COLABORADORES


Vejo muitos artigos e matérias nos últimos tempos falando sobre que a empresa deve fazer para agradar os colaboradores. O ambiente físico tem que ser um verdadeiro clube de recreação, as pessoas podem vir trajadas de calça jeans e tênis para se sentirem em casa. Os líderes têm que buscar agradar e dar propósito e significado para todos, e o ambiente tem que ser inclusivo e alinhado com a diversidade, etc. Acho tudo isso importante e válido, mas vejo poucas pessoas falando sobre o que a empresa espera em troca dos colaboradores. Não existe nada de graça nesta vida. Se as empresas oferecem essas condições para tornar o ambiente de trabalho mais agradável e confortável, é porque acreditam que isso vai alavancar mais performance e resultados na outra ponta.

A competição neste mundo global, especialmente na era digital, é feroz e cruel. Uma inovação transformadora pode fazer um negócio desparecer da noite para o dia. A velocidade com que as coisas acontecem em todos os campos é enorme. A pressão para resultados de curto prazo é muito maior, porque os acionistas sabem que não dá para esperar muito tempo para colher os frutos dos investimentos. O risco de ficar pelo caminho é muito grande. Tudo isso influencia para que os colaboradores contribuam cada vez mais.

Então o que as empresas esperam dos colaboradores? iniciaria dizendo que o fundamental é o foco que todos devem ter e trabalhar para garantir o resultado do negócio. É fácil falar disso, mas na prática é complicado porque o resultado depende de um conjunto de ações e pessoas para ser alcançado: Desenvolver as competências no sentido mais amplo possível, tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista comportamental. Alinhamento com a estratégia, objetivos e metas definidas de forma que todos saibam exatamente o que precisam fazer para contribuir neste sentido. Como vivemos na era digital inovar e buscar soluções tecnológicas ou plataformas se tornou uma necessidade crítica. Vivemos na era da conveniência. Os clientes querem ter acesso a seus produtos da forma mais rápida e eficiente possível. Assim como nós, que já não queremos mais ir a uma agência bancária. Em todos os campos, a tecnologia e as plataformas que estão sendo criadas visam agilizar e trazer mais eficiência. Isso vale para dentro e para fora da empresa. Todos querem estar antenados na tecnologia, não como um fim em si só, mas no sentido de prover rapidez e eficiência, principalmente para os clientes. Isso traz um desafio para todos os colaboradores, que é manter-se atualizado e desenvolvendo-se em tempo integral.

Para que uma organização alcance os seus objetivos, há necessidade de todos trabalharem de forma integrada e em times. Até porque, muitas vezes não há necessidade de todos estarem na mesma localidade. Vantagem que temos hoje em função da tecnologia. Podemos trabalhar de qualquer lugar. Ter as competências e o espirito de trabalhar em time é fundamental. Vivemos num mundo de muita ambiguidade e incertezas de tal forma que, juntas as pessoas produzem muito mais do que isoladamente. A carreira irá se desenvolver de forma diferente do que no passado, e irá exigir das pessoas várias experimentações e capacidade de inovar para poderem crescer.

Como as organizações tendem a serem mais horizontalizadas, e os líderes terem uma função maior de facilitadores e não controladores, as empresas esperam que os colaboradores tenham iniciativa própria e que atuem de forma ética, profissional e íntegra. A reputação das pessoas e das organizações são os maiores ativos que elas têm, e para isso precisam trabalhar dentro do “compliance” para terem sucesso e progredirem.

terça-feira, 22 de maio de 2018

A TECNOLOGIA NOS APROXIMA DOS DISTANTES, E NOS AFASTA DOS PRÓXIMOS


Venho refletindo nos últimos tempos a respeito do efeito da tecnologia, redes sociais etc, e o seu impacto no ambiente profissional. A vantagem de se ter uma certa experiência ou uma rodagem maior, é que podemos comparar várias fases da vida dentro das organizações. O título acima parece um paradoxo, mas tenho observado que isso está acontecendo, não só no ambiente pessoal, mas no profissional também. No passado quando as pessoas tinham algum problema para resolver na empresa, pegavam o telefone ou iam pessoalmente falar com quem precisasse. Esta relação mais pessoal criava uma conexão de proximidade e de confiança. O famoso olho no olho, quando era possível, ou boca a boca via telefone. As dúvidas ou os mal entendidos eram resolvidos nesta relação pessoal, e era possível muitas vezes fazer a leitura corporal. A maioria das reuniões,  quando possível,  eram presenciais, e isso também ajudava a criar um maior integração e relações pessoais. Tudo isso facilitava em muito a busca de soluções quando era necessário se trabalhar junto com uma outra área da empresa. O espírito de colaboração parecia ser maior, e  a comunicação mais efetiva.

Quando entramos na era da informação, dos e-mails, etc,  comecei a notar como esta tecnologia  ajudava barbaramente na rapidez da comunicação, mas por outro lado distanciava as pessoas umas das outras. As pessoas começaram a achar que enviar e-mails era o trabalho delas, e que ao fazer isso estavam comunicando e resolvendo os problemas. O que se observou na prática é que a comunicação em certa medida, piorou muito do ponto de vista da sua efetividade. Enviar email para alguém não quer dizer que o problema está resolvido, e muitas a interpretação dos textos é completamente equivocados, gerando uma quantidade de problemas e confusão. Não é possível avaliar corretamente por exemplo, o tom emocional que foi colocado num texto. Cada um pode interpretar do jeito que achar melhor. Isso só para dar um exemplo.

As coisas foram evoluindo e com o advento da internet e das plataformas tecnológicas, hoje é possível se trabalhar em qualquer local. Não há mais a necessidade de estar fisicamente presente. Do ponto de vista tecnológico isso é bem interessante, mas do ponto de vista da construção das relações e da confiança creio que temos um desafio enorme pela frente. As empresas precisam ficar muito atentas para que a tecnologia não crie um ambiente cada vez mais individualista, e se perca algo que é uma das armas mais poderosas de uma organização o trabalho de time. Todos sabemos que a união faz a força, e com um mundo cada vez mais complexo, não dá para encontrar as soluções sozinho. A produtividade é uma combinação da tecnologia com o talento humano. Parece que estamos avançando mais rápido no lado da tecnologia, mas não podemos esquecer que são as pessoas que farão a diferença.

Tudo isso é muito novo para as empresas e particularmente para as Lideranças e  áreas de Recursos Humanos. A tecnologia tem que nos ajudar tanto do ponto de vista de eficiência, mas também de aproximar as pessoas. Nada substitui uma boa conversa, um olho no olho, e trabalhar junto. Nenhuma tecnologia por mais eficiente que seja poderá substituir as relações humanas.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

AMBIENTALISTA ORGANIZACIONAL


Nunca o tema sobre Meio Ambiente esteve tão na moda como nos últimos 20 ou 30 anos. Aliás com muita propriedade pois vários estudos demonstram os problemas que o mundo vem enfrentando em função da poluição, do excesso de resíduos, e da falta de cuidado com o planeta. Por todos os problemas causados ao meio ambiente e suas consequências, surgiram no mundo muitos Ambientalistas que estudam o assunto, e fazem propostas para que haja melhorias significativas no nosso planeta. Os temas são os mais variados. Alguns focam nas águas, outros poluição do ar, outros o aquecimento global e assim por diante.

Se por analogia pensarmos numa organização como um planeta, podemos também assumir que existe um Meio Ambiente Organizacional que, assim como a terra, carece de muitos cuidados. O sucesso de uma empresa nos tempos de hoje e muito mais no futuro, irá depender de quão bem ela cuida do seu Meio Ambiente. Como poderíamos definir isso para uma organização?

Vamos começar com a Missão. A pergunta que, como cidadãos do planeta fazemos, é: qual é a nossa missão enquanto cidadãos na construção de um mundo melhor? Qual é a nossa contribuição, para que o planeta seja cada vez mais sustentável, produtivo, e um ótimo lugar para viver? Da mesma forma quando falamos de organizações, também podemos pensar da mesma maneira. Qual é a nossa missão para fazer com que aquela empresa seja bem-sucedida no futuro?

A Missão é uma declaração do que precisamos fazer para que a terra, ou uma organização, sejam cada vez mais prósperas. Só a Missão, não é suficiente, pois precisamos saber o que desejamos no futuro, ou qual é a Visão do que queremos construir. A Visão da Organização, representa quais são os objetivos que queremos perseguir para o futuro como o próprio nome diz. Assim como quando olhamos para o nosso planeta e temos uma visão do que queremos para o futuro dos nossos filhos, e o que precisamos fazer para assegurar a sua sustentabilidade futura. A Visão é o desejo, a esperança que temos daquilo que almejamos conquistar.

Na sequência, temos os Valores que são críticos para a proteção do nosso planeta, e se não os tivermos muito claros, teremos sérios problemas para o futuro. Por exemplo: Temos que desde já educarmos as nossas crianças sobre a importância da água para a nossa sobrevivência, portanto preservar e cuidar dos mananciais passou a ser um valor para todos os seres humanos.

Da mesma forma, para uma organização, é fundamental que todos entendam quais são valores corporativos que caracterizam a empresa, ou que fazem parte da sua cultura. Ética, honestidade, colaboração, atitude de servir, e outros por exemplo, são valores que a empresa quer que as pessoas pratiquem para o bem do negócio como um todo. O progresso do Mundo, de um País ou mesmo de uma organização, só faz sentido se for alcançado dentro de certos parâmetros. Portanto não é aceitável o vale tudo para alcançar o sucesso, caso este não seja conseguido dentro de certos critérios de comportamentos.

Se juntarmos a Missão, Visão e os Valores poderíamos afirmar que estes elementos formam o que seria a Cultura de um País ou por analogia, a Cultura de uma Organização. Quanto mais pessoas tivermos engajadas no planeta, do ponto de vista da Missão, Visão e Valores do Meio Ambiente, certamente teremos mais chances de construir um mundo melhor para o futuro.

Da mesma forma, isso vale para as Organizações. Quanto mais as pessoas estiverem engajadas na Missão, Visão e Valores da empresa, certamente ela construirá uma cultura forte e consistente e terá mais sucesso no futuro.

Para assegurar a melhoria do Meio Ambiente vários Ambientalistas promovem essas discussões, reflexões e estudos para garantir que haja engajamento dos cidadãos nestes temas. Ora, porque não ter dentro das empresas os Ambientalistas do Meio Ambiente Organizacional? Fica aqui a proposta. Que as empresas desenvolvam nos seus Líderes e formadores de opinião, verdadeiros Ambientalistas, e com certeza o ambiente das empresas apresentarão melhorias significativas, o que em última análise, se reverterá em melhores retornos para os seus negócios.

quarta-feira, 21 de março de 2018

ESTOU PRONTO, MAS NÃO CONSIGO SER PROMOVIDO


Muitas vezes me deparei e me deparo com pessoas que comentam isso comigo. Eu me graduei, fiz MBA, especialização, fui para fora para aperfeiçoar o meu Inglês e nada da minha promoção sair. Naturalmente o pessoal mais jovem, tem uma expectativa mais curta para serem promovidos, o que acaba criando um grande problema para as empresas para retê-los. Num momento que a economia está mais desacelerada, ainda se consegue mantê-los, mas é só as coisas mudarem e as organizações vão ter problemas para segurar essa galera.

Algumas coisas são importantes para que a gente reflita e entenda o mecanismo de promoção nas empresas. Estar preparado é o ticket de entrada para poder ser considerado para uma promoção, entretanto existem vários outros fatores que estão ou não sob o controle das pessoas. Tudo deve começar com um alinhamento das expectativas entre a pessoa e a organização. Uma boa conversa com o Líder e com a área de RH, pode ajudar muito nesta calibração da expectativa.

Como eu falei estar preparado profissionalmente é o ponto de partida. O outro fator crítico para a promoção é demonstrar que tem potencial para fazer mais do que está fazendo. Este potencial tem que ser demonstrado antes da promoção e não após. Nenhuma empresa irá promover alguém, para depois avaliar se aquela pessoa tem o potencial para a nova função. Claro, tem exceções e empresas que arriscam mesmo sem ter uma análise mais profunda da pessoa. Em muitos casos acaba dando errado a promoção. Vale lembrar que tudo isso custa dinheiro.

Outro fator crítico para uma promoção é o resultado do desempenho da pessoa na função atual. Para que alguém seja considerado para assumir mais responsabilidades tem que entregar muito bons resultados na função em que está no momento. Tem muita gente bem preparada, mas que na hora de entregar os resultados não conseguem chegar lá ou atender as expectativas da empresa. Portanto performar acima da média é um sinal claro que aquela pessoa está sobrando na função atual, e pode assumir mais responsabilidades numa função maior. Vale lembrar que numa organização existem várias pessoas competindo para essas promoções, o que complica ainda mais esta disputa.

Outro componente importante para ser promovido tem a ver com as competências comportamentais. Muitas pessoas demonstram ter competências técnicas, excelente desempenho, mas muitas vezes tem o comportamento e a atitude inadequada para seguir crescendo no trabalho. Boa comunicação, saber trabalhar em time, saber lidar com a ambiguidade, ser flexível, ter um excelente equilíbrio emocional são fatores críticos para crescer na carreira. Num nível inicial da carreira, quando se está crescendo em funções mais técnicas, estes fatores muitas vezes não são tão relevantes. Entretanto a medida que a pessoa vai subindo na hierarquia e começa a despontar os cargos de Liderança, estes fatores passarão a ser críticos para os próximos passos.

Vamos assumir agora que a pessoa está preparada academicamente, investiu em formações adicionais como MBA, especializações, idiomas, etc. Tem tido um desempenho acima da média, e consistente ao longo de alguns anos. Demonstra ter além das competências técnicas, as competências comportamentais, e tem potencial para assumir posições de maior relevância. Mesmo assim porque ainda não foi promovida?

No mundo ideal deveria ser quase automática a promoção desta pessoa. Até porque uma pessoa talentosa em que a empresa investiu ao longo do tempo, obviamente não vai querer perde-la para o mercado. E pior ainda, pode perde-la para a concorrência. Ocorre que muitas vezes embora a pessoa esteja totalmente preparada para promoção, a empresa tem limitações organizacionais. Em outras palavras a próxima posição ainda está ocupada por alguém e a empresa não pode ficar criando funções simplesmente para fazer a promoção. A racionalidade econômica não permite que as empresas criem funções e com isso adicionem custos na sua estrutura para absorver as pessoas que já estão preparadas. Por esta e algumas outras razões, que muitas vezes as pessoas ficam frustradas porque apesar de estarem preparadas, não conseguem ser promovidas no tempo que gostaria.

Se o profissional tiver entendimento desta situação, e a sua liderança tiver um bom diálogo com a pessoa, e for apenas uma questão de tempo a nova promoção, certamente uma pessoa comprometida e talentosa saberá esperar o seu momento. Caso isso não ocorra há grandes chances que este profissional irá buscar uma oportunidade fora da organização. Por esta razão é crítico que as empresas preparem os seus líderes para terem diálogos de carreira com as pessoas, para mantê-las engajadas com a organização.