sexta-feira, 6 de setembro de 2019

DIVERSIDADE DE NEGÓCIOS E DE PESSOAS. O DESAFIO DESTE SÉCULO


O tema Diversidade parece que entrou para valer na pauta das empresas no Brasil. Este tema não é tão novo assim. Nos Estados Unidos, esta conversa já rola há mais de 20 ou 30 anos. Eles identificaram que a diversidade de pessoas resulta em diversidade de pensamento e isso agrega mais valor ao negócio. Se todos forem iguais, a resposta para os problemas e desafios será exatamente igual. Esta é a lógica deste assunto. Se olharmos também para a natureza, vamos notar que ela só parece exuberante quando a diversidade está presente. A sobrevivência do planeta depende dessa variante de forma ampla. Sejam as florestas, os oceanos, os animais e assim por diante. Esta composição diversificada faz com que o resultado seja o melhor possível para a humanidade e a sobrevivência do planeta.

Partindo deste princípio, comecei a refletir se isso também não seria crítico para os negócios. Ultimamente parece que o mundo está se resumindo à era digital, e que as empresas todas devem ser como Google, Apple, Amazon, Facebook, etc. Não estou falando da diversidade de atividades empresariais, que de alguma forma sempre existiu e continuará a existir.

Se voltarmos no tempo, há 100 ou 150 anos atrás, durante muitos anos a ênfase dos negócios era o setor agrícola. Depois veio a revolução industrial, no início do século passado, que por muitos anos dominou o cenário dos negócios. Mesmo neste período de ascensão do setor industrial, a agricultura continuou sendo uma atividade crítica para os negócios e para o mundo. Neste momento, as coisas caminham de forma acelerada para um mundo de negócios digitais, de serviços, muito voltado para a conveniência das pessoas. Vale lembrar que agricultura continua crítica, a indústria também continua importante, e fundamental na produção de bens para a sociedade.  

A impressão que temos é que muitos negócios desaparecerão, mas na verdade muito deles se transformarão ou serão feitos de formas diferentes, com o advento de novas tecnologia. Isso vale para agricultura, para a indústria, serviços, etc. O que parece trazer uma complexidade adicional é que tudo isso está acontecendo ao mesmo tempo. A agricultura está se transformando através da tecnologia, do ponto de vista de equipamentos, mas principalmente pela aplicação da biotecnologia. Embora seja um segmento tão tradicional, passa por uma transformação tecnológica gigante. No segmento da indústria ocorre o mesmo fenômeno e isso não é recente. Há quanto tempo a indústria automobilista utiliza a robótica nas suas linhas de produção? Possivelmente há 20 ou 30 anos. Isso vale para muitas outras empresas no segmento industrial. O que é diferente neste momento, e será cada vez mais, proveniente das facilidades da era digital, são os serviços em geral e a velocidade da transformação. Há um crescimento acelerado do segmento de negócios na área de serviços, como jamais tivemos oportunidade de experimentar. A tecnologia abriu um mundo novo, além do impacto que teve e tem nas áreas tradicionais de negócios. Em nenhum outro tempo da humanidade convivemos ao mesmo tempo com uma transformação que não é mais linear, mas ampla e irrestrita. A sequência da evolução dos negócios deixou de ser simples e direta, saindo do artesão, agricultura, indústria, para ser tudo transformado ao mesmo tempo. Esta heterogeneidade de negócios é fundamental para a evolução da humanidade. Não é só a diversidade sob o ponto de vista humano que ficou crítico e complexo, mas a própria multiplicidade de negócios. Neste caso, as organizações trouxeram uma maior complexidade e ambiguidade para a sociedade em geral.

O bom de tudo isso é que, assim como na natureza, a diversidade agrega valor e traz benefícios que não seriam possíveis de outra forma. No mundo nada se cria, tudo se transforma, e isso ainda continua valendo muito mais para os tempos atuais.

quarta-feira, 31 de julho de 2019



DESENVOLVIMENTO EXECUTIVO VERSUS COACHING. QUAL É A DIFERENÇA?



Quando decidi em 2010 iniciar a Consultoria da Westin Desenvolvimento de Pessoas, procurei usar a minha experiência de 35 anos como Executivo de RH e de Negócios e dois anos como Diretor de Coaching Key Exec da Right Management, a serviço do desenvolvimento de profissionais. A melhor coisa que existe na profissão é fazer algo que esteja alinhado com o seu propósito de vida. No meu caso, foco em ajudar a desenvolver profissionais e executivos para que se tornem melhores líderes e pessoas.

Uma das reflexões que fiz na época, quando o assunto de Coaching se tornou muito popular, foi entender mais sobre este tema e o que eu gostaria de fazer como Consultor para me dedicar ao desenvolvimento executivo e gestão de pessoas. Por que optei por fazer Desenvolvimento Executivo e não Coaching propriamente dito, apesar de ter sido Diretor de Coaching Key Exec na Righ Management?

A razão fundamental é que o processo de Coaching, seguindo de forma bastante técnica o processo, trabalha apenas com o conteúdo do executivo. No processo de Desenvolvimento Executivo, tenho liberdade para trabalhar os dois conteúdos: o do executivo em questão, bem como o meu próprio. Com formação em Economia, Especialização em HR Strategic Management nos USA, MBA em RH na USP/FIA, mais de 40 anos em gestão(sendo 20 anos como Diretor de RH, 8 anos como Gestor de uma BU de Químicos) e dois assignments nos Estados Unidos, ficaria difícil não utilizar essa bagagem para ajudar o desenvolvimento de Executivos. Ficar limitado às técnicas de Coaching e ao conteúdo do Executivo, não me parecia o ideal para agregar valor aos profissionais.

Esta foi a razão principal da minha escolha ter sido por criar um processo de Desenvolvimento Executivo, e não seguir o processo de Coaching na consultoria. Ao longo de 8 anos desenvolvendo vários executivos dos mais variados níveis profissionais, noto que este processo da Westin tem sido reconhecido por focar fundamentalmente em agregar valor ao negócio, através do desenvolvimento de pessoas. Aliás, este sempre foi o meu foco: valorizar o ser humano sem perder de vista a sua relevância agregando para os negócios da empresa.

Outro aspecto diferente do Coaching para o processo da Westin, é que o nosso foco é absolutamente no desenvolvimento de executivos. A metodologia do Coaching permite a sua utilização em várias áreas como: profissional, vida, família, relacionamento, etc., o que não é o nosso caso.

Como é a metodologia do processo de Desenvolvimento Executivo na Westin? O processo de Desenvolvimento Executivo da Westin, é estruturado e organizado em várias etapas ou blocos de assuntos. O primeiro bloco é voltado para o alinhamento do processo com o executivo, e conhecimento e informações da sua trajetória profissional. O segundo bloco refere-se à fase dos assessments do executivo. Para este fim, vários instrumentos são utilizados, alguns conhecidos do mercado, e outros desenvolvidos pela própria Westin. O terceiro e último bloco, corresponde a fase do desenvolvimento propriamente dito. A depender das etapas anteriores, vários materiais e discussões são utilizados. Por exemplo, se ficar demonstrado que o executivo em questão precisa melhorar o seu Estilo de Liderança, além do assessment desta competência, outros materiais e apresentações (desenvolvidos com comprovação prática da sua eficiência e eficácia.) serão utilizados para ajudá-lo no seu desenvolvimento.

Em resumo, o processo de Desenvolvimento Executivo na Westin completa mais de 8 anos de utilização, e os feedbacks das empresas e dos executivos têm sido o nosso melhor retorno por este trabalho.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

DARWIN ORGANIZACIONAL: LIDERANÇA E PROFISSIONAIS ADAPTATIVOS


Ultimamente tenho refletido bastante como descrever os profissionais e as lideranças deste novo mundo tecnológico, digital, ou seja, o nome que for. Qualquer coisa que tentamos definir, ou rotular com algum tipo de definição vai ficar velho muito rapidamente. Por isso que vemos publicações com os mais variados nomes, títulos, descrições e num instante tudo isso fica obsoleto. As próprias descrições de definições das gerações, também acabam ficando desatualizadas e não descrevendo corretamente muitas coisas que estão acontecendo.

No ambiente organizacional isso ficou ainda mais complicado. Na Europa ou nos Estados Unidos, que são países com uma consistência maior, talvez não seja tão complicado. Países como o Brasil, China ou Índia, que são muito heterogênicos, as coisas ficam muito mais difíceis. Exemplo: Participo de reuniões em São Paulo, onde o assunto da onda é o mundo digital. A maioria das conversas vêm do Vale do Silício e de outras experiências que estamos anos luz de distância. As pessoas falam disso como se fosse algo possível de ocorrer na próxima semana. É bom falar dessas coisas inspiracionais, mas nós temos muitos outros desafios em gestão, liderança, etc. que estão longe disso e que precisam ser bem endereçados e resolvidos.

Por conta disso, comecei a pensar que talvez a melhor definição para descrever as lideranças e os profissionais seja utilizando o termo “adaptativo”. Aqueles que conseguirem ao longo da sua carreira, irem se adaptando ao contexto mutante e constante que vivemos e iremos viver, ainda mais acelerado, serão os que sobreviverão e terão sucesso. Algo semelhante à teoria de Darwin.

É quase impossível dominar e entender tudo o que está acontecendo no mundo. Podemos nos preparar, mas duvido que alguém possa com precisão saber exatamente o que vai acontecer. Converso frequentemente com CEOs de vários setores e me surpreendo com a sinceridade deles, em dizer que está cada vez mais difícil prever o futuro. Não é por acaso que, de repente, nos deparamos com o desaparecimento de uma empresa, o nascimento de outra, e atividades que nem imaginávamos, sendo criadas, enquanto grandes empresas sucumbem. Será que essas grandes empresas não teriam pessoas inteligentes capazes de prever o que vinha pela frente? Obviamente que não. Elas têm muita gente capaz, mas vivemos tempos imprevisíveis, de transição tecnológica, que provoca transformações profundas nos modelos de negócio da noite para o dia.

A pergunta que me faço é a seguinte: Como as Lideranças e os profissionais em geral devem se preparar para estes novos tempos?

É muito difícil ter uma resposta específica e precisa para esta pergunta, entretanto sabemos que o ser humano tem sobrevivido ao longo de milhares de anos, graças a sua fabulosa capacidade de adaptação. Talvez este seja um dos maiores poderes que o homem tem, se o compararmos com outros animais. Conseguimos viver em áreas desérticas, geladas, remotas, e assim por diante. Temos no nosso DNA uma capacidade de lidar com coisas diferente e inusitadas como ninguém. Não adianta lutar com coisas que não temos como controlar ou vencer. É só olharmos o exemplo da natureza com furacão, tsunami, neve, terremotos etc. Não temos como controlar essas forças, mas aprendemos a nos adaptar com estas situações e sobreviver.

Se tomarmos isso como exemplo e por analogia levarmos para o mundo empresarial, é isso que temos de fazer do ponto de vista profissional ou mesmo para liderar numa organização. Quanto mais tivermos um perfil adaptativo, e isso não é fácil porque requer uma serie de competências e comportamentos, certamente teremos mais sucesso nesta caminhada.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

DESIGNER DE PROCESSOS E PESSOAS…O NOVO PAPEL DO LÍDER


Creio que este será o título dos Líderes num futuro breve. Ainda estamos discutindo, muitas vezes, o papel da Liderança num modelo antigo, que é muito baseado no modelo industrial. Processos estanques e repetitivos, com pequenas mudanças evolutivas ao longo dos anos. Precisamos entrar numa discussão mais profunda do novo papel da Liderança, neste mundo digital. O perfil dos profissionais dessas novas gerações é bem diferente do que estamos acostumados. Basta olhar o ambiente das empresas de tecnologia para entender a grande mudança que ocorreu e que está ocorrendo. Essa transformação é percebida em todas as frentes. As pessoas têm formação diferente, se vestem de maneira despojada, o ambiente de trabalho é também bastante descontraído e igualmente desprendido. O mundo criativo e inovador pede este tipo de local, para que as pessoas possam soltar a imaginação e produzir inovação para os negócios. Os desafios não são mais processos recorrentes que precisam ser melhorados através da própria repetição e execução. Agora vivemos um momento, em que os processos precisam ser mudados constantemente, para que possam atender as necessidades dos negócios. Tudo é muito mais volátil e sujeito a mudança num espaço de tempo muito curto. Os ciclos de negócios são muito rápidos e os produtos muito mais perecíveis em função do avanço rápido da tecnologia.

A cada momento algo novo está sendo criado para adicionar aos negócios existentes, ou mesmo transformando o ambiente totalmente. Existem vários exemplos como tudo isso está se modificando rapidamente. Quando achávamos que a tecnologia, por exemplo, já facilitava a nossa vida para não ter que ir a um banco, já tem tecnologia que está na verdade concorrendo com o próprio conceito de banco. Portanto nem as coisas mais tradicionais e aparentemente imutáveis conseguem sobreviver a este momento de transformação que o mundo está passando.

Com este contexto dos negócios e das organizações, não é possível se imaginar que os processos vão permanecer iguais por longo tempo e muito menos a forma de desenvolver as pessoas. O papel de cada um é quase de se auto liderar, até porque muita gente está cada vez mais trabalhando remotamente. A liderança muitas vezes nem convive mais proximamente dos seus liderados. A palavra autonomia e empoderamento nunca fez tanto sentido como agora, só que ainda estamos preparando as Lideranças no modelo analógico.

Precisamos urgentemente começar a rever o papel do Líder dentro deste novo contexto. Pessoalmente, os vejo muito mais como Designers de processos e pessoas, e facilitadores do trabalho, definindo o direcionamento, alimentando e revendo os processos e o trabalhos das pessoas de forma permanente. O trabalho e os processos devem ser alterados constantemente para melhor se adaptar a velocidade do mercado e poder enfrentar a concorrência. É como se tivéssemos que alterar a descrição de cargos todas as semanas, bem como mudar os processos na mesma velocidade. A tecnologia veio para nos ajudar nesta tarefa, e o novo papel da Liderança é liderar este processo de transformação junto aos liderados. O novo mundo do trabalho requer um comportamento de muita flexibilidade, como se cada dia o trabalho fosse feito de forma diferente. Todos devem estar muito atentos as mudanças de tecnologia, e fazer da inovação um “way of life”. Será muito desafiador acompanhar esses novos tempos, mas como tudo na vida, o ser humano está pronto para se adaptar e fazer disso a sua rotina. Neste cenário, o novo papel da Liderança será fundamental para as organizações e a sociedade como um todo.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ONDE O NEGÓCIO FOR O RH VAI JUNTO


Vejo tantas teorias e conceitos sobre a evolução da gestão de pessoas que parece tratar-se de uma ciência espacial. Agora então com a tal da era digital, da indústria 4.0 e outras titulações, o assunto ganhou uma complexidade enorme. Está cheio de gurus no mundo escrevendo livros e mais livros a respeito disso. E claro, junto com o livro também é preciso a consultoria para entender do que se trata. Também tem o tal do VUCA, que agora todo mundo fala, mas de fato poucos sabem o que é. De tempos em tempos acontece isso. Alguém escreve uma nova ideia ou uma velha ideia com roupa de domingo, e todo mundo começa a reproduzir e reverberar o assunto.

A área de RH e os temas de liderança parecem exercer um fascínio nos autores de livros e gurus, para lançarem novos conceitos e, principalmente, para o exercício da futurologia. Nada contra, e acho até um bom exercício mental discutir a respeito de novas visões, até porque o mundo está sempre se transformando e evoluindo. A única coisa que me incomoda um pouco, é quando toda essa conversa de futurologia vem divorciada da conversa de negócios. Quando isso acontece, essa conversa vira apenas um exercício acadêmico, interessante, porém de pouco valor agregado ao mundo real. Pelo menos na minha visão...

Participo de algumas discussões, e apresentações na área de gestão de pessoas, e fico me perguntando: Se eu apresentar isso para um CEO, qual será a sua reação? Confesso que algumas vezes eu mesmo fiz essa avaliação. Em alguns casos eu acredito que o CEO enfartaria com tanto assunto teórico e acadêmico. Tudo bem, tem o seu valor as discussões acadêmicas e teóricas, mas no mundo empresarial, onde deve-se agregar valor e ter coisas práticas, fica difícil imaginar a adoção de muitas dessas ideias.

Quando falamos de gestão estratégica de pessoas, a primeira coisa que precisamos entender é a estratégia do negócio. Além disso, temos que traduzir e fazer a conexão dos temas de negócios para os processos de RH. Se queremos projetar a evolução da gestão de pessoas para o futuro, vamos ter que fazer primeiro um exercício para entendermos para onde estão indo os negócios. Quais são as demandas e os desafios do “business” para o futuro. A partir disso sim, podemos fazer um exercício de futurologia para identificar as mudanças e as necessidades em gestão de pessoas.

O fator humano é de fato cada vez mais crítico para o sucesso dos negócios. A lógica é simples, vivemos uma época de muita transformação e inovação, e essas coisas dependem fundamentalmente do talento humano, da criatividade, etc. As novas tecnologias, novas plataformas, etc. dependem mais do fator humano do que muitas vezes do capital investido. Como o impacto humano nos negócios é cada vez mais significativo, isso exige que a gestão de pessoas seja mais eficiente e produtiva para agregar valor ao negócio. E para que isso aconteça, o RH tem que estar cada vez mais preparado para entender a necessidade do negócio e desenvolver novas formas de fazer a gestão de pessoas para esta nova era. Por isso eu digo, onde o negócio for o RH vai junto....ou pelo menos deveria ir...




terça-feira, 3 de julho de 2018

CAPITALISMO INCONSCIENTE OU INCONSEQUENTE


De vez em quando me dá vontade de escrever sobre o ambiente macro que vivemos no Brasil e, porque não dizer, da América Latina. De alguma forma estes cenários têm a ver com a área que eu atuo, que é Gestão de Pessoas. Não consigo ficar imune de algumas coisas e reflexões que tenho vontade de comentar. Isso talvez fique mais forte por eu ter vivido e trabalhado duas vezes no Estados Unidos, onde poderíamos dizer que é o ícone do capitalismo neste planeta.

É triste ver como o capitalismo se desenvolve no Brasil, quando lemos todos os dias noticias nos jornais da corrupção envolvendo grandes empresários e os governantes do País. Não sei quem é pior, se são os maus empresários, que não têm ideologia do capitalismo e muito menos escrúpulos, ou os governantes que representam apenas os seus interesses pessoais, sem também nenhuma ideologia ou aptidão para a causa pública. São capitalistas inconscientes e inconsequentes da pior categoria, pois por alguns trocados, ou muitos trocados, vendem a alma para o diabo, em detrimento da nação inteira. Causam estragos gigantescos, quando a população não tem emprego, saúde, educação, segurança, moradia, etc. por conta de todo o dinheiro roubado. Sempre me pergunto se esta gente consegue dormir? Talvez sim, pois não são equipados de valores, ética e integridade inerentes ao cidadão honesto e de bem.

Este tipo de capitalismo reinante em nossa região, produz uma tremenda concentração de renda, tendo de um lado os ricos e abastados vivendo em casas cheia de muralhas e dirigindo os seus carros blindados, e do outro desafortunados que em sua grande maioria não tem quase nada para viver.  O capitalismo inconsciente constrói este tipo de ambiente que tende a ser cada vez pior no futuro, se não houver mudança de mentalidade. As ideologias de esquerda agradecem a este tipo de capitalismo, pois eles não precisam nem fazer força para prosperarem. A população desassistida e ignorada pelo mau capitalismo, busca nas ideologias de esquerda o refúgio para os seus infortúnios. Só que mesmo a ideologia de esquerda se perdeu neste mundo podre do capitalismo inconsciente, se corrompendo e agindo da mesma forma, defendendo interesses escusos alimentados pelos maus empresários. Há um certo desalento neste momento porque nenhuma das ideologias representa mais uma grande parte da população, que está frustrada com tanta corrupção e falta de investimentos sociais num País tão rico de recursos.

Precisamos encontrar um caminho novo, para construir um novo modelo democrático,  capitalista de verdade, ou seja, que promova a livre inciativa, onde todos têm oportunidade de melhorar de vida e que fundamentalmente não esqueça da sua responsabilidade social. Se continuarmos neste caminho do capitalismo inconsciente, correremos o risco de trilharmos no caminho do populismo que nos levará a ditaturas de direita ou esquerda, que se apresentarão como a solução para todos os males. Já vimos este filme no passado e ao redor do mundo. É só pesquisar na história para saber o que aconteceu. Está na hora dos bons empresários, capitalistas de verdade, assumirem o comando para construírem um País socialmente, politicamente e economicamente viável e saudável. Se as forças ideológicas de esquerda se juntarem a este movimento, não como oposição radical, mas como agregador de uma visão social desta nova sociedade, creio que poderá ser o caminho da construção de um novo futuro. Existem exemplos de economias e de capitalismo no mundo, onde o social caminha junto com o desenvolvimento econômico, onde a sociedade pode ser próspera e as pessoas tratadas com dignidade e verdadeiras sócias deste empreendimento.


sexta-feira, 29 de junho de 2018

NÃO EXISTE ALMOÇO GRATIS - O QUE AS EMPRESAS ESPERAM DOS COLABORADORES


Vejo muitos artigos e matérias nos últimos tempos falando sobre que a empresa deve fazer para agradar os colaboradores. O ambiente físico tem que ser um verdadeiro clube de recreação, as pessoas podem vir trajadas de calça jeans e tênis para se sentirem em casa. Os líderes têm que buscar agradar e dar propósito e significado para todos, e o ambiente tem que ser inclusivo e alinhado com a diversidade, etc. Acho tudo isso importante e válido, mas vejo poucas pessoas falando sobre o que a empresa espera em troca dos colaboradores. Não existe nada de graça nesta vida. Se as empresas oferecem essas condições para tornar o ambiente de trabalho mais agradável e confortável, é porque acreditam que isso vai alavancar mais performance e resultados na outra ponta.

A competição neste mundo global, especialmente na era digital, é feroz e cruel. Uma inovação transformadora pode fazer um negócio desparecer da noite para o dia. A velocidade com que as coisas acontecem em todos os campos é enorme. A pressão para resultados de curto prazo é muito maior, porque os acionistas sabem que não dá para esperar muito tempo para colher os frutos dos investimentos. O risco de ficar pelo caminho é muito grande. Tudo isso influencia para que os colaboradores contribuam cada vez mais.

Então o que as empresas esperam dos colaboradores? iniciaria dizendo que o fundamental é o foco que todos devem ter e trabalhar para garantir o resultado do negócio. É fácil falar disso, mas na prática é complicado porque o resultado depende de um conjunto de ações e pessoas para ser alcançado: Desenvolver as competências no sentido mais amplo possível, tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista comportamental. Alinhamento com a estratégia, objetivos e metas definidas de forma que todos saibam exatamente o que precisam fazer para contribuir neste sentido. Como vivemos na era digital inovar e buscar soluções tecnológicas ou plataformas se tornou uma necessidade crítica. Vivemos na era da conveniência. Os clientes querem ter acesso a seus produtos da forma mais rápida e eficiente possível. Assim como nós, que já não queremos mais ir a uma agência bancária. Em todos os campos, a tecnologia e as plataformas que estão sendo criadas visam agilizar e trazer mais eficiência. Isso vale para dentro e para fora da empresa. Todos querem estar antenados na tecnologia, não como um fim em si só, mas no sentido de prover rapidez e eficiência, principalmente para os clientes. Isso traz um desafio para todos os colaboradores, que é manter-se atualizado e desenvolvendo-se em tempo integral.

Para que uma organização alcance os seus objetivos, há necessidade de todos trabalharem de forma integrada e em times. Até porque, muitas vezes não há necessidade de todos estarem na mesma localidade. Vantagem que temos hoje em função da tecnologia. Podemos trabalhar de qualquer lugar. Ter as competências e o espirito de trabalhar em time é fundamental. Vivemos num mundo de muita ambiguidade e incertezas de tal forma que, juntas as pessoas produzem muito mais do que isoladamente. A carreira irá se desenvolver de forma diferente do que no passado, e irá exigir das pessoas várias experimentações e capacidade de inovar para poderem crescer.

Como as organizações tendem a serem mais horizontalizadas, e os líderes terem uma função maior de facilitadores e não controladores, as empresas esperam que os colaboradores tenham iniciativa própria e que atuem de forma ética, profissional e íntegra. A reputação das pessoas e das organizações são os maiores ativos que elas têm, e para isso precisam trabalhar dentro do “compliance” para terem sucesso e progredirem.